Recebi com grande agrado um conjunto de jornais portugueses da década de 70 e 80, e com curiosidade fui ler o que se dizia sobre o país e o mundo. Foi com alguma surpresa que pude constatar que nem tudo era diferente, muitos temas, ainda hoje, continuam a estar na ordem do dia, e isso faz-nos reflectir negativamente sobre o que de facto andamos a fazer por nós, enquanto cidadãos deste país.
A 1 de Fevereiro de 1979 o jornal “Diário Popular” tinha títulos como: “Governo quer apresentar à Assembleia da República um orçamento sem défice”; Assembleia da República vai decidir - Cobrança da taxa de rádio é legal?” e “Defesa do Atlântico contra a poluição”. Para além disto, é interessante saber que tínhamos mais eleitores, “Primeira Estimativa – Mais de 110 mil recenseados do que 1976” e que teríamos, nesse ano, a vinda de “Jô Soares no carnaval do Algarve”.
O Diário Popular transcrevia ainda na página 2, um conjunto de artigos de opinião publicados noutros jornais, numa secção chamada “Jornal de Jornais”. Na edição deste primeiro dia de Fevereiro foi republicado um texto de Francisco Sousa Tavares publicado no Jornal “A Capital”, a 31 de Janeiro desse ano, com o título “A Verdade Inaceitável”. Ao ler este artigo é arrebatador ver que, embora noutro contexto, havia preocupações com o que se gastava com o erário público, como temos hoje. Escrevia o autor “Ninguém, porém, tem a coragem moral de assumir a responsabilidade pela destruição da máquina produtiva. Ninguém quer dizer ao povo que a imensa fonte de lucros e de riqueza, de investimento e de criação de trabalho, que em nome dele foi assaltada sem que se gastasse um cêntimo, passou a ser um fardo pesado e um factor de ruína. Quantos anos de sofrimento serão ainda precisos para que a verdade surja à luz do dia e se diga claramente à Nação e aos trabalhadores de Portugal o preço terrível que têm de pagar pelas nacionalizações, pelos assaltos às fábricas, pela colossal destruição de riqueza, que nos tornou mais pobres do que nunca?”.
Hoje, estamos verdadeiramente mais pobres do que nunca, continuamos a achar que a classe política é a causadora desta nossa condição, mesmo que o tenha feito involuntariamente ou por ingenuidade, e continuamos a ver o futuro como uma incógnita assustadora. Mas continuamos um “povo” de fé e a acreditar que melhores dias virão!
* Mestre em Gestão Pública
















